POLÍTICA: Câmara aprova royalties para saúde e educação, e texto vai à sanção.
Votação do texto foi concluída após acordo entre
governo e líderes da Casa.
Projeto destina 75% dos royalties para educação e 25% para saúde.
Após um acordo entre o Palácio do
Planalto e líderes partidários, a Câmara dos Deputados concluiu nesta
quarta-feira (14) a votação do projeto que destina 75% do total dos royalties
do petróleo para a educação e 25% para a saúde. Os deputados derrubaram a
proposta original do governo e decidiram destinar 50% do Fundo Social — espécie
de poupança formada com recursos que a União recebe na produção do pré-sal —
para educação e saúde.
O texto, que já havia sido aprovado
pelo Senado, segue agora para a sanção ou veto da presidente Dilma Rousseff.
Os royalties que serão destinados
para educação e saúde se referem apenas aos novos contratos da União com
comercialidade declarada a partir de 3 de dezembro de 2012. Royalties de campos
em atividade há mais tempo, como nos estados produtores do Rio de Janeiro e
Espírito Santo, continuarão a ser aplicados pelos governos estaduais.
AS MUDANÇAS
NO PROJETO ORIGINAL DOS ROYALTIES
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Antes
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Depois
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Distribuição
dos royalties
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100% para a
educação
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75% para a
educação e 25% para a saúde
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Destinação
dos recursos
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Dos contratos
assinados a partir de 3 de dezembro de 2012
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Dos contratos
com "declaração de comercialidade" a partir de 3 de dezembro de
2012
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Fundo Social
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50% dos
rendimentos do Fundo Social para a educação
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50% do total
do Fundo Social para educação e saúde
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Fonte: Câmara
dos Deputados
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O texto-base do projeto havia sido
aprovado em julho pelos deputados, antes do início do recesso branco. Nesta
quarta, após diversas reuniões das lideranças da Casa com ministros do governo
Dilma, os parlamentares retomaram a votação e apreciaram os destaques
(propostas de alterações no texto) que haviam ficado pendentes por conta de uma
obstrução do PMDB e de parcela da base aliada.
O governo federal era contra o
substitutivo do deputado André Figueiredo (PDT-CE), que previa os 50% dos
recursos do Fundo Social para a educação (75%) e para a saúde (25%). Na
proposta original do governo e ratificada pelo Senado, apenas seria aplicada em
educação 50% dos rendimentos financeiros do Fundo Social, mantendo intacto o
capital principal. Os deputados, contudo, preferiram a versão de Figueiredo,
para destinar metade de todos os recursos do Fundo Social, não apenas os
rendimentos.
Diante da resistência de André
Figueiredo em modificar o texto, a própria presidente da República tentou
convencer os líderes da base aliada a retomarem a proposta original que havia
sido avalizada pelos senadores. As lideranças, entretanto, não abriram mão de
utilizar parte do fundo do petróleo, em vez de somente os rendimentos, como
defendia o governo.
Nesta manhã, os ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Aloizio Mercadante (Educação)
foram pessoalmente à Câmara tentar construir um acordo que impedisse os saques
do dinheiro investido no fundo. Após horas de negociação, o governo aceitou
votar o relatório de André Figueiredo que prevê a utilização de 50% do Fundo
Social. Porém, ficou acertado com os líderes que o Executivo irá enviar
futuramente ao Congresso Nacional um novo projeto de lei para tentar conciliar
as propostas do PDT com as sugestões do Planalto.
"Agora nós teremos tempo, e o
governo vai apresentar uma proposta assim que nós terminarmos e sancionarmos
essa lei pra chegarmos a um equilíbrio, entre a urgência da Câmara, que fez uma
proposta dizendo 'nós precisamos de recurso mais rapidamente pra educação', e a
prudência da Senado, que fez uma proposta que nós teríamos recurso por mais
tempo pra educação", disse Mercadante.
Ao final da votação, o líder do
governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ressaltou que não há um prazo para o Planalto
enviar ao Legislativo um novo projeto sobre os royalties do petróleo. De acordo
com o petista, não há pressa por parte do Executivo de finalizar essa proposta,
já que os primeiros recursos da camada pré-sal só serão obtidos daqui a cerca
de quatro anos.
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