E lá se vai Artur...
E
lá se vai Artur... Vai tocar sua sanfona na companhia dos bons. Chegará no céu
devagarzinho, meio calado, meio faceiro, meio sem jeito perguntando aonde está?
Talvez
ainda queira saber, como todos nós aqui saudosos, por que tão cedo? Por que
assim sem nem avisar?
Talvez
alguém lhe diga: Porque sim.
Não!
Não senhores! Fatalidade definitivamente não! Porque sim, certamente não foi.
Artur,
nosso amigo Artur, filho de seu Alvino e dona Evane, pai de família e médico
exemplar na verdade foi vítima da ineficiência e negligência do Estado.
A
morte de Artur é menos um caso de polícia. A agressão sofrida por ele é
resultado da ausência ou ineficiência das políticas sociais do Estado.
Quando
o objetivo é encabestrar o miserável com programas desfigurados à eleitoreiros
e não resgatar o cidadão de sua condição de miserável, pela educação, a
sociedade mostra esse desvirtuamento moral, mostra sua face mais perversa e
insana.
A
banalização do ser humano e sua integridade física e moral deixa de ser um
ponto fora da curva e passa para a média aceitável, ou pior, para a média
negligenciada.
De
Thomas Robes aos nossos dias vivenciamos um crescimento exponencial na
economia, tecnologia e indústria, no entanto, o homem permanece no abissal como
lobo do homem, só que agora com diferenciais de requintes de crueldade, perversidade,
tripudiação.
Se
àqueles que deveriam zelar pela ética falcatruam, àqueles que deveriam zelar
pela lei e fazê-la com isenção prevaricam, àqueles que deveriam considerar
normal o ato correto, o chamam de ingenuidade não temos como exigir daqueles que
vivem na miséria e na certeza da impunidade que tomem atitudes diferentes daquelas
que estamos vendo ultimamente.
O
pai que joga filha do quarto andar ou que se omite no assassinato do filho pela
madrasta, adolescente que mata pai e mãe, transeuntes que lincham uma inocente
sem dó, nem piedade, sujeito que lança vasos sanitários para matar de forma
espetaculosa, um pai de família que ao final de um dia árduo de trabalho e que
deveria ter direito a um descanso é sequestrado e violentamente morto, crianças
queimadas presas a colchões, etc, etc, etc. não são atos isolados da violência
urbana, se não, o reflexo de uma sociedade carcomida pela corrupção e
impunidade.
Perdemos
um amigo para a ineficiência do Estado. A população perde um profissional
extremamente qualificado (doutor em sua área) para a ignorância e crueldade
humana. Uma mãe perde um filho para a cultura da corrupção. Uma mulher perde
seu companheiro para a ausência de educação e, por fim, um filho perde um pai
para a impunidade.
Júlio Lima
Fonte: Blog do JÚLIO

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