Morre no Recife, aos 87 anos, o escritor Ariano Suassuna
Ariano morreu no dia 23 de julho
de 2014 no Real Hospital Português, no Recife, onde deu entrada na noite do dia
21 vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), passando por procedimento
cirúrgico com colocação de dois drenos para controlar a pressão intracraniana.
Ele ficou em coma e respirando por ajuda de aparelhos.
Biografia
Ariano Vilar Suassuna nasceu em
Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa (PB), no dia 16 de junho de 1927,
filho de Cássia Vilar e João Suassuna. No ano seguinte, seu pai deixa o governo
da Paraíba e a família passa a morar no Sertão, na Fazenda Acauã, em Aparecida,
Paraíba.
Com a Revolução de 1930, seu pai
foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro e a família mudou-se
para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus
primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um
desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas
registradas também da sua produção teatral.
A partir de 1942 passou a viver
no Recife, onde terminou, em 1945, os estudos secundários no Ginásio
Pernambucano, no Colégio Americano Batista e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano
seguinte iniciou a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermilo Borba Filho. E,
junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu
sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as
Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante
de Pernambuco. Os Homens de Barro foi montada no ano seguinte.
Em 1950, formou-se na Faculdade
de Direito e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Para
curar-se de doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá.
Lá escreveu e montou a peça Torturas de um Coração em 1951. Em 1952, volta a
residir em Recife. Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar,
porém, a atividade teatral. São desta época O Castigo da Soberba (1953), O Rico
Avarento (1954) e o Auto da Compadecida (1955), peça que o projetou em todo o
país e que seria considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “o texto mais popular
do moderno teatro brasileiro”.
Em 1956, abandonou a advocacia
para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No
ano seguinte foi encenada a sua peça O Casamento Suspeitoso, em São Paulo, pela
Cia. Sérgio Cardoso, e O Santo e a Porca; em 1958, foi encenada a sua peça O
Homem da Vaca e o Poder da Fortuna; em 1959, A Pena e a Lei, premiada dez anos
depois no Festival Latino-Americano de Teatro.
Em 1959, em companhia de Hermilo
Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa
da Boa Preguiça (1960) e A Caseira e a Catarina (1962). No início dos anos 60,
interrompeu sua bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de
Estética na UFPE. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência A Onça
Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira. Aposenta-se
como professor em 1994.
Membro fundador do Conselho
Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do
Departamento de Extensão Cultural da UFPE (1969). Ligado diretamente à cultura,
iniciou em 1970, em Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no
desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares
tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música
erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado em Recife, em 18
de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina – do
Barroco ao Armorial” e com uma exposição de gravura, pintura e escultura.
Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes
(1994-1998).
Entre 1958-79, dedicou-se também
à prosa de ficção, publicando o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do
Sangue do Vai-e-Volta (1971) e História d’O Rei Degolado nas Caatingas do
Sertão / Ao Sol da Onça Caetana (1976), classificados por ele de “romance
armorial-popular brasileiro”.
Ariano Suassuna construiu em São
José do Belmonte, onde ocorre a cavalgada inspirada no Romance d’A Pedra do
Reino, um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com
3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o
profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São
José, o padroeiro do município.
Membro da Academia Paraibana de
Letras e Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(2000).
Em 2004, com o apoio da ABL, a
Trinca Filmes produziu um documentário intitulado O Sertão: Mundo de Ariano
Suassuna, dirigido por Douglas Machado e que foi exibido na Sala José de
Alencar.
Em 2002, Ariano Suassuna foi tema
de enredo no carnaval carioca na escola de samba Império Serrano; em 2008, foi
novamente tema de enredo, desta vez da escola de samba Mancha Verde no carnaval
paulista. Em 2013 sua mais famosa obra, o Auto da Compadecida será o tema da
escola de samba Pérola Negra em São Paulo.
Em 2006, foi concedido título de
doutor honoris causa pela Universidade Federal do Ceará, mas que veio a ser
entregue apenas em 10 de junho de 2010, às vésperas de completar 83 anos.
"Podia até parecer que não queria receber a honraria, mas era problemas de
agenda", afirmou Ariano, referindo-se ao tempo entre a concessão e o
recebimento do título.2
Durante o mandato de Eduardo
Campos, Ariano foi Assessoria Especial do Governo de Pernambuco, até abril de
2014.
Ariano Suassuna era torcedor
fanático do Sport Club do Recife.
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