ELEIÇÕES 2014: Dilma vê tentativa de 'golpe' e Aécio diz que 'assaltaram' a Petrobras
Candidatos reagiram aos
depoimentos que relatam propina na estatal. Juiz nega vazamento e oposição quer
chamar doleiro com urgência na CPI.
Os candidatos à Presidência Dilma
Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) reagiram nesta sexta-feira (10) a
depoimentos sobre suposta propina repassada a partidos a partir de desvios em
contratos na Petrobras. Em Canoas (RS), a petista disse ver tentativa de
"golpe" da oposiçãopor explorar o caso durante o processo eleitoral.
No Rio, o tucano criticou a adversária por se posicionar contra a revelação dos
depoimentos.
Nesta quinta, vieram à tona
depoimentos em que o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o
doleiro Alberto Youssef, considerado operador de um esquema de lavagem de
dinheiro, confirmaram que propinas pagas por empreiteiras em obras da Petrobras
abasteciam o PT, PMDB e PP (entenda no vídeo ao lado).
Durante ato de campanha em Canoas
(RS), a candidata do PT acusou a oposição de tentar "dar um golpe"
por causo do "uso eleitoreiro" de investigações de casos de
corrupção. "Eles jamais
investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime horrível,
que é o crime da corrupção. Agora, na véspera eleitoral , sempre querem dar um
golpe. Estão dando um golpe. [Com] Esse golpe, nós não podemos concordar",
disse.
Antes, em entrevista em Brasília,
Dilma disse achar "muito estranho e muito estarrecedor" a divulgação
dos depoimentos para a imprensa em meio à campanha eleitoral. "Considero
incorreto divulgar parcialmente, no momento eleitoral, não acho isso correto.
Sou a primeira a defender investigação rigorosa, profunda, de tudo o que
disseram esses indivíduos", completou.
O juiz federal Sérgio Moro, que
conduz o processo, negou que as informações tenham sido vazadas. Segundo ele,
as falas de Costa e Yousseff se deram em ação penal que não está em segredo de
Justiça e que, portanto, devem ser divulgada em prol da
"transparência". "A sua divulgação, ainda que pela imprensa, é
um consectário normal do interesse público e do princípio da publicidade dos
atos processuais em uma ação penal na qual não foi imposto segredo de
justiça", afirmou em nota.
No Rio de Janeiro, o candidato do
PSDB, Aécio Neves, criticou Dilma por se opor à divulgação dos depoimentos e
disse que o governo não teve reação quando "assaltaram" a Petrobras.
"Nesta sexta ficou clara a
diferença de posição entre a candidata e a presidente, que disse ser
estarrecedor o vazamento dos depoimentos dos envolvidos do petrolão. Considero
estarrecedor os depoimentos, esses crimes que foram cometidos de forma contínua.
Assaltaram a maior empresa brasileira nas barbas desse governo, sem reação
desse governo. Estamos indignados com o que aconteceu com a Petrobras",
disse o tucano, em entrevista à imprensa.
Ele também prometeu levar às
investigações ao "limite", para que os envolvidos sejam processados e
os culpados punidos.
Em Brasília, o deputado federal
Carlos Sampaio (PSDB-SP), representante do partido na CPI mista da Petrobras,
disse nesta sexta-feira (10) que vai pedir que o doleiro Alberto Youssef seja
ouvido com “urgência” pela comissão. A convocação dele já foi aprovada, mas a
data do seu depoimento ainda não foi marcada.
O tucano também vai exigir que
seja convocado o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, apontado por
Youssef como operador do dinheiro de propina paga ao PT; e de Renato Duque,
diretor de Serviços da Petrobras de 2003 a 2012. Para Sampaio, o esquema “é um
escândalo infinitamente mais rumoroso que o mensalão”.
O líder do governo no Congresso e
integrante da CPI mista, senador José Pimentel (PT-CE), disse que seu partido
foi favorável à convocação de Youssef e não teme os depoimentos do doleiro e do
ex-diretor. "Tudo que aparece é para ser apurado, nosso partido não
esconde nada, pelo contrário, estimulamos a apuração", declarou.
Fonte: G1, em Brasília

Comentários